Motoboy e entregador têm direito ao adicional de periculosidade?
Roda todos os dias no trânsito, exposto a risco. Entenda quando o motoboy e o entregador têm direito ao adicional de periculosidade de 30% e como provar.
Resposta direta
O adicional de **periculosidade** é pago ao trabalhador que fica exposto, de forma permanente, a **risco de morte** — inflamáveis, explosivos, energia elétrica em alta tensão e substâncias radioativas, conforme o artigo 193 da CLT.
Para motoboy e entregador, o direito **não é automático**: depende da atividade real e da prova. Mas quando a exposição é confirmada, o adicional é devido — e ele pode retroagir.

A explicação do direito
O artigo 193 da CLT define o que é atividade perigosa e fixa o adicional em **30% do salário base** — sem inclusão de gratificações, prêmios ou comissões no cálculo.
A jurisprudência tem reconhecido o adicional em situações específicas do dia a dia do entregador, sempre analisando o **risco real**. Por isso, o que decide o caso não é o cargo no contrato, mas o que se comprova: o que você transporta, onde circula, quantas horas por dia e com que proteção.
Quais direitos podem existir?
- **Adicional de periculosidade de 30%** sobre o salário base, enquanto o risco existir;
- **Reflexos**: 13º, férias com 1/3, FGTS, aviso prévio e descanso semanal;
- **Diferenças retroativas** do período em que o risco existiu e não foi pago, respeitado o prazo;
- Recálculo de **horas extras e adicionais** calculados sobre salário menor;
- **Indenização** se o risco já causou acidente e a empresa falhou na proteção.
O que fazer para provar? Passo a passo
- Guarde o **contrato** e a descrição real da função;
- Salve **mensagens e escalas** que mostrem rotas, cargas e horários;
- Guarde **notas e comprovantes** do que transporta;
- Anote **horas por dia na rua** e o tipo de área — rodovia, centro, turno da noite;
- Documente a **falta de proteção da empresa**: sem treinamento, sem equipamento, sem inspeção;
- Liste **colegas** que rodam a mesma rota.
"A empresa diz que adicional só existe para quem carrega combustível"
O transporte de inflamáveis é a hipótese mais clássica — não a única. A análise é sempre pela **atividade real** e pela exposição a risco de morte.
Se o seu dia a dia tem essa exposição, o caso precisa ser analisado com as provas em mãos. E se o risco já virou acidente, a responsabilidade da empresa pode ser discutida na mesma ação.
Leia também
- Periculosidade para quem transporta combustível
- Assalto e roubo de carga: o trauma dá direito?
- Tempo de espera para carregar e descarregar tem que ser pago?
Perguntas que os trabalhadores mais fazem
Trabalho de moto com carteira assinada, recebo 30% a mais?
Pode receber, mas não é automático para toda situação. É preciso analisar como era o uso da moto no seu trabalho e o que a norma e a Justiça têm decidido.
Uso minha própria moto, muda alguma coisa?
Não impede o pedido. O que importa é se você usava a moto para trabalhar no dia a dia.
Você arrisca a vida todo dia e o adicional não aparece?
Me mande seu contrato, o holerite e conte exatamente o que você transporta e onde. Vou verificar se o periculosidade é devido no seu caso.
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Toda semana eu explico em vídeos curtos os direitos de quem sofreu acidente de trabalho ou ficou doente por causa do serviço — sem juridiquês.
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